Pássaros talantinos
grandes asas dominam o ar
por entre cimos rochosos
percorrem cá os intrépidos
que adoram a este lugar
pela paixão são ardorosos
para se porem a arrancar
o chumbo que quer agrilhoar
os que querem os grandes voos
venh'agora aqui acordar
vamos fazer nossos caminhos
singrando por áureos ventos
a fruir do zênite solar

Juventude
profusão de energia vital
belo dom de Jove pujante
que desde o trovão reinante
faz jovens de poder genial
o mais poderoso talante
dádiva do rei celestial
expurga a sede bestial
dos sem razão e sem vontade
assim faz cair o podre mal
sob duro ferro lancinante
para seguir com pés possantes
generosa senda triunfal

Vivência Pessoal
esplêndida chama da vida
que vislumbra todo o ouro
pulsante ao abrir caminho
pelos labirintos da Sina
contra mil multidões de murros
tua face carmesim revela
o olhar límpido da alma
trilhando o próprio caminho
erga-se tua férrea espada
para imbuir-se por dentro
da presença de espírito
guiando os passos da vida

Vindouro
o esplêndido fulgor da vida
singra através dos ventos
impelido pelo âmago
dono do cetro da libra
tal voo torna efetivo
quer o momento que encontra
quer o momento que confronta
o fulgor vital com o outro
o bravo intento triunfa
ao fazer a senda do desejo
promanar-se pelo ensejo
do fulgor das asas da força

Expressão Vital
o sol surge para conquistar
o horizonte autêntico
pleno de olhar genuíno
que faz o chão vívido pulsar
o coração abre frêmitos
sempre que espelha o jaguar
para fazê-lo se alegrar
pela busca do grande voo
quando a criação se tornar
o espírito mais intenso
ela sabe que leva tudo
a fazer a centelha brilhar

Ânimo Livre
o espírito livre visa
vivificar certo desejo
pronto a fazer-se o ensejo
da entende que sempre dura
a ânsia carente de Pleno
busca completar-se na vida
que encontra quando anima
as vias de todos os escopos
quer tantas voltas recíprocas
que participam neste globo
que ajunta elas de modo
que se tornem uniões mútuas

As chamas do Poder

O Legado
de Homero a bela canção
que fez a vida caber dentro
do pulsante peito humano
por sua dadivosa invenção
desde lá caminha o mundo
e morada ganha por quinhão
sobre os palcos do coração
comungar com o espírito
desde aqui parte a missão
para fazer medir o campo
para virem morar conosco
os nossos triunfos da razão

A Fronteira
Ah! tu que desafias daí
tu fronteira cheia de desdém
que arrasta o homem pr'além
se não subi é porque caí
por causa de ti temos o Bem
ao fardo que diga "peraí"
rechaço logo pois já vi
que tu já me aceitou também
Ah! fronteira 'tou indo pr'aí
todos que te buscam e querem
ganham vida já que és jovem
pra ser feliz a partir daqui

Fênix
majestoso fulgor vermelho
cujo ouro reluz nas asas
que se alçam pela possança
pra domar o céu do ocaso
do alto das nuvens contempla
a cessação dos propósitos
que provêm galope ao mundo
mas desdenha do fim da senda
eis que nosso Sol poderoso
te faz portentos que restaura
o voo vital da aurora
sobre as terras de seu reino

Guerreiro
tu cuja vida é da guerra
que buscas nas sendas de Marte
o cetro que a todos fere
pelo reino férreo da honra
pois aqui a espada rege
tudo se faz para a guerra
que a todo mundo esmaga
sob a pesada mão de bronze
teu coração é pela guerra
tua lança fala pelo sangue
e alça teu escudo sobre
os mais belos campos da terra

O mando dos ciclopes
ah maldito e triste rancor
de que vale o mais brilhante
pra que serve o mais pujante
se o mesquinho vive melhor
erga teu olhar mau ciclope
curto e estreito amargor
de tua vista que quer o sabor
do fel dado pelo medíocre
da tua imensidão sem valor
a tudo de hábil contrarie
e contra todos nós decrete
que está proscrito o vigor

Maldição
ledo engano teu se pensas
que o mole peito lânguido
e a masmorra do paranho
te premiará com a doce paz
a lassidão depreda tronos
o mofo apodrece vigas
o desdém desfibra as ligas
e o torpor rompe os laços
agora para que bem ouças
maldiga o asno paranhoso
vergue o potente arco
e lance as ardentes setas

Xeretice
maldita presunção aguda
tão nocivo saber fajuto
quer fazer crer um tal engano
nefasta sanha mórbida
tua vista que tem por termo
um palmo além da narina
mas quer ver o que não enxerga
troca tudo por conto tosco
fecha tua imunda matraca
volta pro teu podre pântano
seja um judas no inferno
que o próprio diabo mastiga

Ligação
tuas águas cortejas oh Tao
toda gota corre no teu leito
toda lágrima corre por teu rosto
que de ti saiu força tal
vês o punho nodoso
abrir-se como no Natal
mesmo na terra austral
mostrar espírito generoso
suportas a corrente oh Tao
que mitigas por norma forçoso
para conduzir o rio ignoto
sem destino e sem final

Voo 3054
chamas e aço retorcido
choque confusão e fumaça
no pouso cai a segurança
daí clamor dos vitimados
galopante Mercúrio chega
da senda de látigo rubro
a esmagar casas sob luto
em tormento de tantas almas
a tudo assiste o corvo
agracia àquele que mata
toma do ganso a máscara
sendo do avestruz aluno

A morada citadina
tu! grande roda do progresso
que a tantos homens dá o bem
por ti todos os pés se movem
já que teu eixo é trabalho
de que feliz engenho provém
este tão genial invento?
ora, das proporções o senso
cujo ventre as razões contém
que razões domam nosso mundo?
nossas cidades aqui vivem
porque suas praças pulsantes têm
miríades de queixos dignos

Yggdrasil pulsa
bem sabemos que queres o bem
e ainda que te deleitas com o mal
à noite fazes o luau
para de manhã sentir o desdém
enquanto sofres o teu drama anal
de teu ventre nascem
tantas criaturas que a ti devem
sua bela casa universal
ah! que quinhão é este que contém
do assassino o instinto mais animal
do inocente o sonho mais espiritual
por mais que os diabos nos zombem

Polifemo
grande e débil polifemo
cujo rei na barriga mora
deixa às moscas a cabeça
se empanturra qual vampiro
caia caia caia desgraça
te arrebenta o braseiro
criatura saída do inferno
verme parceiro da derrota
dôa teu destroçado peito
que te arda tua vista cega
por feroz estaca em brasas
caia caia caia maldito

A vida no barril
quem és tu aí escondido
que vive a ruminar queixas
contra qualquer um que te deixa
sair à luz para o mundo
cada pirralhomem desfila
toda sua derrota no rabo
pois viver pelo umbigo
o abarrota de peçonha
de trás deste maldito muro
viceja a mais podre alma
que a todo valor recusa
para se tornar melindroso

Ódio à âncora detestável
ah! peso maldito que és
livra-me de ti agora
solte-me de tua podre amarra
mostra-me o imbecil que és
oh! tu nefasta âncora
larga de vez meus pés
quero de vez provar das marés
da pérfida corrente me livra
ventos me querem a singrar através
do vasto oceano desde libra
ao sem fim que ao sangue vibra
e à morte zomba de través